segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Encontro

Já é tarde da noite estou voltando para a casa, um tanto quanto satisfeito, depois de um ótimo dia de trabalho, volto para casa feliz com a sensação de "dever cumprido", quando já estou perto
de casa sou surpreendido por uma senhora, uma velha senhora, que com um "ar" um tanto quanto misterioso, olha no fundo dos meus olhos e me pergunta, com uma voz doce e trêmula: - "Quem é você?". Eu já perturbado com as palavras d'aquela senhora, d'aquela velha senhora, respondo com um certo sarcasmo: "Eu? Eu sou apenas um jovem que ama a vida, adoro meu serviço e dou a vida pela minha família e agora se a senhora me der licença preciso dar um beijo bem carinhoso na minha esposa e filhos pois estou morrendo de saudades deles". Quando já estava saindo ela me chamou novamente e acariciando minha face disse: - " Olha meu guri, que tenhas uma ótima noite de sono". Neste momento percebo que começa a escorregar pela sua face enrugada pela tempo, uma lágrima, apenas uma única gota de lágrima que passeia solitária pelas estradas do tempo desenhadas em sua face, ela então se vira de costas para mim e continua seu caminho, eu volto o mais rápido possível para minha casa e por incrível que pareça tenho minha melhor noite de sono destes últimos tempos. Na manhã seguinte, quando estou indo para o meu serviço, ao longe vejo uma multidão de pessoas aglomeradas, um tanto quanto incomum para aquele local e horário que por sinal era o mesmo local que tinha cruzado com aquela senhora, ou melhor dizendo aquela velha senhora, na noite anterior, a cada passo que dou a visão vai clareando cada vez mais e então posso reconhecer algumas pessoas na multidão, posso reconhecer meu pai, minha mãe, minha esposa e meus filhos, todos com os rostos empapados de lágrimas, pergunto para eles o que está acontecendo mas ninguém me responde, no meio de toda esta multidão consigo observar o centro do aglomerado de pessoas, para minha surpresa lá está ela, embaixo de ferros retorcidos e concretos, aquela senhora, aquela velha senhora, consigo observar em seu rosto todo machucado um semblante de alegria, foi quando veio um senhor todo de branco e colocou sua mão em meu ombro esquerdo e me disse: - "Ela se jogou na frente de um carro que vinha em alta velocidade, pois conseguiu realizar seu último e talvez maior desejo". Eu sem perder tempo, com um aguçado interesse, tratei logo de perguntar: - "Qual era este desejo?". Então ele disse: - "Conhecer o neto".

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